quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Avesso

 
 Certas
  palavras
enrubesceram

[certos]
olhares
virginais

Certos
olhares
enrubesceram

[certas]
palavras
virginais
16/8/10 & 26/8/10
Eliana Pichinine

sábado, 17 de dezembro de 2011

Infinito Particular

 

Eis o melhor e o pior de mim

O meu termômetro, o meu quilate

Vem, cara, me retrate

Não é impossível

Eu não sou difícil de ler

Faça sua parte

Eu sou daqui, eu não sou de Marte

Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim

Só não se perca ao entrar

No meu infinito particular

Em alguns instantes

Sou pequenina e também gigante

Vem, cara, se declara

O mundo é portátil

Pra quem não tem nada a esconder

Olha minha cara

É só mistério, não tem segredo

Vem cá, não tenha medo

A água é potável

Daqui você pode beber

Só não se perca ao entrar

No meu infinito particular

Marisa Monte

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Foi um lindo romance



 

Foi um lindo romance, reconheço,
Lindo como jóia de alto preço,
Este romance que não escrevi.
Foi síntese de todos os romances,
Com todas as cores e todas as nuances
Dos sonhos que até hoje construí.

Meu romance tem páginas sublimes
De renúncias, heroísmos, traições e crimes;
Tem palavras de estranha suavidade;
Tem gritos de revolta e de ansiedade,
Resumo do desejo e da ambição -;
Tem confissões de amor sussurradas com calma,
Tem o tom muito da alma e do coração.

Se alguém pudesse ler encontraria
Toda meiguice, toda ternura, toda covardia
Das palavras de amor que eu não te disse.

Se alguém pudesse ler encontraria escrita
Numa página de ouro esta cruel verdade:
Tu foste para mim esta coisa tão bonita
Que todos chamam de felicidade.
Foi um lindo romance, reconheço,
Por isso de joelhos agradeço
Me deixares vivê-lo até o fim
Anônimo e feliz... Com toda discrição.
Sem a glória de ter ouvido sim,
Nem a mágoa de ter ouvido não.



Mário Lago



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Minha vida foi isso o tempo todo


Recomeçar ainda que partido;
Refazer o horizonte a cada passo;
Buscar razões no que perdeu sentido;
Mover-me sempre, embora o pouco espaço;

Compreender todas as vozes mudas,
Perdido entre o não dito e o não pensado;
Procurar no vazio alguma ajuda;
Repisar mil caminhos já pisados;

Falar sem nunca ter ouvido um grito
De aplauso, de protesto ou xingamento;
Pensar que era de céu o chão de lodo;

Os pés na terra, os olhos no infinito.
Sonhando estar lá longe o meu momento...
Minha vida foi isso o tempo todo.


Mario Lago
http://www.mariolago.com.br

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um Poema de Amor



    
Não sei onde estás, se falas
ou se apenas olhas o horizonte,
que pode ser apenas o de uma
parede de quarto. Mas sei que
uma sombra se demora contigo,
quando me pergunto onde estás:
uma inquietação que atravessa
o espaço entre mim e ti, e
te rouba as certezas de hoje,
como a mim me dá este poema.

Nuno Júdice, in "O Movimento do Mundo"

 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Se


Se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra

eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto

ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio

daí, vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
 a gente se cruzasse...

                                               Alice Ruiz

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Procurei



No telhado do pensamento




No sono do travesseiro




No requinte do paladar




No rodapé da emoção

23/12/09 & 24/12/09
Eliana Pichinine

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Um instante





Aqui me tenho
Como não me conheço
nem me quis

sem começo
nem fim

aqui me tenho
sem mim

nada lembro
nem sei

à luz presente
sou apenas um bicho
transparente





Ferreira Gullar



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Esperança



Traços

de

homem


Semblante

marcado


Olhar

profundo

à procura

de amor


Década 90 & 24/2/10
Eliana Pichinine

quarta-feira, 19 de outubro de 2011


Poema 154


Há quem da vida
procure apenas retas e brandos ventos,
portos serenos, mananciais de sorrisos.

Eu não.

Gosto é das ondas
que (des)afiam pedras
e fazem tombar navios.

São elas que incitam
o mergulho (preciso);

são elas que emprestam sal
a pele, alma e língua.
 
 Filipe Couto

domingo, 16 de outubro de 2011



"Viu eles?


Viu eles, tio?


São irmões!"


Diz o menino


trás de mim


no ônibus.


A vida


surpreende


o mais ateu


dos homens.


Poucos sabem


o gozo de andar


assim pela cidade.


Somos feito as cotias


no Campo de Santana.


André Luiz Pinto

In: PINTO, André Luiz- Ao Léu. Ed. Bem -Te-Vi, Rio de Janeiro, 2007.


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Não sei

A vida

é

[muito]

curta

ou

somos

gulosos?


A vida

é

[muito]

longa

ou somos

preguiçosos?


11/8/10

Eliana Pichinine

terça-feira, 4 de outubro de 2011

sábado, 1 de outubro de 2011

PELO SIM, PELO NÃO

meu peito inflama


não sei se asma


não sei se ama.



Diogo Lyra
(http://quixotescosdelirantes.blogspot.com)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Saudade bateu à porta

Coração

cabisbaixo

encostou

na parede

do pensamento


e

adormeceu

no leito

da saudade


Eliana Pichinine
28/10/10 & 1/1/10

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Fruto maduro

Maturidade

é

cria

do

tempo


Distribui

convites

nem sempre

receptivos:

festa
privativa

27/10/10 & 28/10/10
Eliana Pichinine

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Projeto Livro de Rua - Ciclos do Brasil


http://livroderua.wordpress.com/parceiros


Livro de Rua é um projeto do Instituto Ciclos do Brasil que visa democratizar a leitura.

Em nosso país os índices de leitura são muito baixos, lemos menos do que na Colômbia e mais de 70% da população nunca freqüentou uma biblioteca.

Entendemos todos os espaços da cidade como espaços de leitura, por isso temos o objetivo de transformar todo o Brasil em uma grande biblioteca pública sem paredes.

Mas como seria isso? fácil, livros não são para ficar parados em estantes e prateleiras pegando poeira, por isso pedimos que os libertem em locais públicos, com grande movimento de pessoas, dando preferências a regiões aonde existe maior carência de leitura, registrando aqui mesmo em nosso site.

Estamos montando bibliotecas da liberdade em escolas, lanchonetes, lan houses, igrejas, centros comunitários, ong´s, associações de moradores e em todos os lugares mais que possuas pessoas interessadas em ajudar. Lá, qualquer pessoa poderá pegar os livros livremente e desfrutar de uma boa leitura. Em seguida poderá entregar os livros no mesmo ponto ou passar para outra pessoa. A única coisa que não vale é ficar parado.

Faça a sua parte, assim como nós, participe você também, seja um agente da educação de qualidade, da democratização do acesso a leitura e da nossa cultura popular, doe livros, divulgue e participe de nossas atividades, ajudando a construir um Brasil Melhor.

(texto extraído do site : http://livroderua.wordpress.com/parceiros)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Varanda





Saudade

Varanda
do coração

Aperto
que pipoca

Eliana Pichinine

In: PICHININE, Eliana- Retrós, Ed Multifoco,2011

domingo, 28 de agosto de 2011

Resenha de Assis Furriel: Poesias de Eliana Pichinine




Lançado no último sábado (26/03) pelo selo FuturArte da Editora Multifoco, "Retrós" de Eliana Pichinine nos traz uma poesia ágil, cheia de significados e imagens, às vezes fortes, às vezes singelas. O livro revela uma autora sem tempo a perder. Sua poesia vai direto ao ponto que se quer, sem meias-palavras, quase nos obrigando a lê-la num só fôlego. Emocionante e envolvente, nos leva à reflexão sobre os aspectos mais humanos da vida. Temas como o amor, o desamor, a paixão, a família, a amizade, a arte, o tempo, memórias etc. são colocados com uma competência sintética de quem não faz rodeios. A prolixidade não vai estar no texto escrito, longe disso, está no que se pensa do que foi lido. É preciso, por vezes, pensar e descobrir sentidos mais profundos; em outros momentos, o nexo da ideia com o texto está ali mesmo na cara. Há de se reconhecer o talento de Pichinine para a "escrita taquigráfica", como observa André Luiz Pinto, autor do texto de sua contra-capa. Escrever muito em poucas palavras não é para qualquer um; é uma verdadeira arte. Além da contra-capa assinada pelo poeta e amigo André, o livro ainda apresenta uma orelha assinada por Marielza Tiscate, artista e amiga da autora e um lindo prefácio escrito por sua irmã, a filósofa Diana Pichinine. Logo, como se percebe, estamos diante de uma trama muito bem costurada por Eliana para nos prender ao livro, como na arte de coser. Faço uma referência ao poema "semente", da página 41, que Eliana oferece ao blogueiro que vos fala. Aliás, sua generosidade poética dedicou vários a outros tantos amigos.


Para Assis Furriel


Semente


A cultura
na terra
cutuca
a nuca da cria
da arte
da germinação

20/08/09

História



Antigos seremos
Empunhando bandeiras
Mais valiosas que as vidas
Menos importantes que um naco de chão
A mais
A mais

Modernos seremos
Quando desfizermos o mistério dos enlaces
Mais parecidos com nós de marinheiro
Que nos prendem ao mastro da embarcação
Pois em mares bravios
Talvez seja preciso cair no mar
Para nos salvar

Contemporâneos
Seremos
Quando a vida
O chão
O mar
E a embarcação
Forem todos uma coisa só

Unidos por nenhum nó
Nenhum nó

Marielza Tiscate
Para minha amiga Eliana Pichinine (versoseanversosfotogenicos.blogspot.com)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ESTIVE AQUI



Nestes
corredores
por ora
mudos


nossas
vozes
conversavam


A felicidade
cantarolava
e os dias
brincavam

Sorrisos
enfeitados
de paixão
floresciam

Na árvore
da lembrança
registrei
essa saudade:

Estive aqui


Eliana Pichinine
9/7/10

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

MORADIA



Há um mundo
que fere
que se atreve
que teme


que vive

cá dentro
na borda


Eliana Pichinine
27/11/09

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Meu Epitáfio


Morta...serei árvore
serei tronco, serei fronde
e minhas raízes
enlaçadas às pedras do meu berço
são as cordas que brotam de uma lira

Enfeitei de folhas verdes
a pedra de meu túmulo
num simbolimo
de vida vegetal

Não morre aquele
que deixou na terra
a melodia de seu cântico
na música de seus versos

Cora Coralina

In : CORALINA, Cora - Meu livro de cordel, Global Editora,São Paulo, 2001.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

sábado, 16 de julho de 2011

saudade eu tenho do que não nos coube

lamento apenas o desconhecimento

daquilo que não deu tempo de repartir

você não saboreou meu suor

eu não lhe provei as lágrimas

é no líquido que somos desvendados

no gosto das coisas o amor se reconhece

o meu pior e o meu melhor e os seus

ficaram sem ser apresentados

Martha Medeiros

In: MEDEIROS,Martha - Cartas Extraviadas e outros poemas, L&PM, Porto Alegre,2010.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Guardar




Guardar uma coisa




não é escondê-la ou trancá-la.


Em cofre não se guarda




coisa alguma.




Em cofre perde-se




a coisa à vista.




Guardar uma coisa é




olhá-la, fitá-la, mirá-la




por admirá-la, isto é,




iluminá-la ou ser por ela




iluminado.


Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é,




fazer vigília por ela, isto é, velar por ela,



isto é, estar acordando por ela,



isto é, estar por ela ou ser por ela.


Por isso melhor se guarda




o vôo de um pássaro




do que pássaros sem vôos.


Por isso se escreve,




por isso se diz,




por isso se publica,




por isso se declara e declama




um poema:




Para guardá-lo.




Para que ele, por sua vez,



guarde o que guarda.



Guarde o que quer




que guarda um poema.



Por isso o lance do poema:




Por guardar-se o que quer guardar.




Antonio Cícero

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Alforria II

Recém

antigo

amor

de ti

tornei-me

refém

E agora

liberto-me

das

correntes

que criei

22/10/10 & 27/10/10
Eliana Pichinine

Alforria I

Coração alforriado

soltou-se da corrente

Num dia ensolarado

avistou um antigo

e marcante amor

Quando menos esperava

não ouviu o compasso

da palpitação

Os olhos seguiram

outro rumo

sorrindo de montão*


14/10/10 & 21/10/10

Eliana Pichinine

*Expressão popular


terça-feira, 5 de julho de 2011

Convivência

Casear

a sua vontade

com a do outro


Aparar arestas

Captar o tom

separadamente

juntos

9/10/10
Eliana Pichinine

In: Pichinine, Eliana- Retrós, Editora Multifoco, 2011,p85.

domingo, 3 de julho de 2011

1 ano!

No dia 7 de julho de 2011 este espaço completará 1 ano!

No decorrer da semana postarei alguns poemas



que foram mostrados nesse período.

Quem quiser participar e opiniar qual gostaria de reler,



ou o que mais gostou, é só

indicar nos comentários.

Obrigada pelo carinho de todos


que compartilham comigo





umas das maravilhas da vida:

a poesia!


Grande bj

Eliana Pichinine

terça-feira, 21 de junho de 2011

Enigmas

Todos temos um enigma

e como é lógico ignoramos

qual é a sua chave seu sigilo

raspamos a proximidade

colecionamos os despojos

nos extraviamos nos ecos

e o perdemos no sonho

justo quando ia se decifrar


e tu também tens o teu

um enigma tão simples

que os postigos não o escondem

nem o descartam os presságios

está em teus olhos e os fechas

está em tuas mãos e as retiras

está em teu peito e os cobres

está em meu enigma e o abandonas

Mario Benedetti

In: BENEDETTI, Mario- Amor, as mulheres e a vida: Antologia de poemas de amor- Verus Editora, Campinas, 2010.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

não tenho mais idade

pra brincar de esconde-esconde

vem me pegar


Martha Medeiros

MEDEIROS, Martha- In:Poesia Reunida-L&PM , Porto Alegre, 2010.p37

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Edifício Amizade *

Ainda em construção

caminha sem pressa

Demora para acimentar

Os tijolos porosos

não resistem à ventania

dos acontecimentos

Aqueles mais resistentes

sentem o abalo

mas conseguem

permanecer



Os anos passam

e a obra


vai ficando


pronta

para encarar mudanças

inerentes

a cada

tijolo

parede

janela

porta

da história

deste edifício


Eliana Pichinine

* Este poema é fruto de uma combinação com Assis Furriel. (www.blogdochicofurriel.blogspot.com). Desta vez foi ele quem sugeriu um tema. Eis aqui a encomenda sobre o tema edifício.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Vestido*

Quando jovem o projetei

e sonhei

Já adulta o concretizei

ao som de música clássica

Então o usei

ao longo dos anos

Entre flores

e espinhos

ele se desfez

Segui sonhando

projetando, concretizando

Outros sonhos passaram

mas aquele ficou

Companheiro

e

amigo

nunca me deixou

E em futuro bem próximo

envolverá minha alma

com seu tecido sutil

para juntos finalmente

no espaço volitar

15/5/2011
Miriam Pichinine

*Sobre o vestido de noiva (desenhado, costurado e bordado por ela) da minha querida mãe.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Brinquedo sério - Letra: Alice Ruiz

Música: Celito Espíndola e Jerry Espíndola


Eu só brinco

quando é muito sério

é muito sério

ser o teu brinquedo

Não tem mistério

não tem segredo

quando a gente brinca

quando a coisa é séria

quando o teu limite

é tão perfeito

quando ser brinquedo

pode ser tão sério

Pode haver um dia

em que a poesia

mude de endereço

deixe apenas tédio

mas enquanto isso

vem brincar comigo

vamos até onde

possa ser só riso

possa ir tão longe

possa ser tão lindo

pode ser brinquedo

pode ser tão sério

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Um rosto conhecido


usou o desconhecido


do teu rosto.


Fabrício Carpinejar

(In: CARPINEJAR, Fabrício- As Solas do Sol- Bertrand Brasil,Rio de Janeiro,1998).

domingo, 29 de maio de 2011

Na rua

Quase tropecei


Abaixo de meus olhos


e ao lado


de meus pensamentos corridos


havia um expressivo


rosto infantil


Ele dormia sem pressa


no colchão de pedra


coberto de piche


Suas feições tranquilas


destoavam do frio


daquela manhã



Corpo seminu



em formato



de concha



Olhos cerrados



Cílios atentos



Vida de rua



Eliana Pichinine

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Chinelos dançantes*

O arrasta - pé

nos ouvidos

do poema

agradou

tanto que

os versos

se empolgaram


No ritmo

do bate-chinela

as estrofes


germinaram

E o compasso

da folia

calçado

de harmonia

varreu

a

tristeza

e

varou

a

madrugada


Eliana Pichinine

*O tema deste poema foi uma sugestão que fiz ao amigo Assis Furriel. A proposta era escrevermos sobre o mesmo assunto. Aqui está a minha versão.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Tempo que fugiu

Depois de tanto vasculhar


cá dentro da caixola


encontrei ideias mordidas


por lapsos de memória



Eliana Pichinine

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Desprendimento

O tamanho



do momento


cabia

em sua mão


Você a estendeu


e permiti


o enlace


A batida pulsante


ressoava na linha


da vida


Inusitada emoção


acontecia


Sentimentos transparentes

extravasaram:


Era a plena entrega

[de seu coração]


Eliana Pichinine

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Luar

Os braços do luar

me envolveriam

se você

me amasse

E a cada

anoitecer

eu esperaria

Eliana Pichinine

sexta-feira, 22 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Nosso Encontro

Foi beija-flor colorido

que provou

o néctar do amor


Foi catavento animado

que soprou

no ouvido da brisa


Foi borboleta distraída

que pousou

no pólen da paixão


Eliana Pichinine

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Arco-íris

Irisar


a


vida


é


talento


Quem


tem


íris de ver*?



Eliana Pichinine

*Alusão à frase: “Quem tem olhos de ver.”

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pitagoreando*

Hipotenusa


e catetos


convivendo


num triângulo


afetuosamente


retangular :

teorema revelado

31/12/10 , 2/1/11 & 3/1/11
Eliana Pichinine

*Este poema é fruto de um saboroso debate que surgiu após a postagem do poema "Nas ruas"(de minha autoria) e da música "Entre a sola e o salto" (de Gilberto Gil).O responsável por essa possibilidade foi Assis Furriel.
Depois de pensar sobre salto alto, ruas, pedras portuguesas, catetos e hipotenusa, veio a vontade de brincar com o teorema de Pitágoras.
Vale a pena visitar e perceber essa percepção do autor do blog.
Vide: "A poesia e universo feminino":www.blogdochicofurriel.blogspot.com

sexta-feira, 1 de abril de 2011

PAPELÃO

Cuidado: frágil


Era manhã
e esse alerta
reluzia na cor de topázio


numa caixa de papelão
com jeito de cobertor


Era alguém dormindo
na calçada

Cuidado: frágil


Eliana Pichinine

domingo, 27 de março de 2011

ANÚNCIO


Vestido rendado

pelo tempo

procura alguém

disposto a conhecer

a alma dessa

exclusiva peça


Eliana Pichinine


(In: PICHININE, Eliana- Retrós. Ed Multifoco, 2011, p.34)

Lançamento do livro Retrós e agradecimentos!

A noite de 26 de março de 2011 foi muito especial. Contamos com a presença de convidados carinhosos e muito agradáveis. Os músicos foram maravilhosos! Só tenho a agradecer por tudo. Informo que no livro Retrós, dedico o poema "Anúncio" aos leitores deste espaço. Beijos!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Estrofes

Dedico hoje a todos os que me apoiaram na aventura de publicar Retrós.
Grande beijo e até amanhã!


Estrofes


Estrofes
sublinham
vívidos
amores

estreantes
amadurecidos

Eternizam
sorrisos

Encerram
cenários

Prometem
reencontro

no aconchego
do virar de páginas

Eliana Pichinine

quarta-feira, 16 de março de 2011

Lançamento do livro Retrós (poesias de Eliana Pichinine)

Queridos leitores!
O dia do lançamento do meu livro de poesias está ficando próximo!
Dia:26/3/11 às 19h
Local: Espaço Multifoco
Av. Mem de Sá,126- Lapa
Rio de Janeiro
Beijos!
Eliana Pichinine

quinta-feira, 3 de março de 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

Outra Madrugada

dá a mão que hoje
eu vou sair
às quatro da manhã
tão sem você


hoje eu vou andar
hoje eu vou de mar
pra me lembrar
de onde é que eu vim
tão longe de você
tão longe de você


não me reconheço mais
não encontro a paz
quando estou só eu
como eu vou dormir?
sem par pra sonhar
sem par pra sonhar


só pra não falar
do pouco um pouco mais
eu só sei que vou
depois de um pouco só
ter em mim
de novo o teu suor
de novo o teu suor
e então chorar melhor

Guilherme Pichinine
http://algoaoredor.blogspot.com

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Para Paraty


Para ti
Para mim
Para nós
Para os outros
Para os casais
Para os amores
Para todos
Para a música
Para as pedras
Para a história
Para as portas
Para as janelas
Para a cor
Para o casario
Para o céu
Para o mar
Para a maré
Para o sol
Para a chuva
Para o tempo


Pára o tempo!
Para ver
Para sentir
Para viver
Para sempre
Paraty

Assis Furriel
http://blogdochicofurriel.blogspot.com

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A partir de hoje outros textos sem ser de minha autoria
também serão apresentados aos queridos leitores.


Corpo de flor

Arrepios
A casa vazia
Um corpo na cama
Perfume de flor

Imagino
Sussurros contidos
Lençóis embolados
Corpos perdidos

E achados


Marielza Tiscate
http://maritiscate.blogspot.com

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Exaustão


Que o dia
me abrace
e
me carregue*


Eliana Pichinine

* Alusão ao dito popular:
"Que o diabo te carregue"

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Mestre Vitalino


Da matéria-prima
extraiu cores

Da sensibilidade
modelou figuras

Do talento
encantou corações
para sempre

Eliana Pichinine



sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Finitude


Vesti meu corpo
com a roupa preferida
[por você]

Colori os lábios
Tatuei no caminho
os nossos passos

Nada adiantou
Tudo complicou

A distância plantada
aproximou a separação
de desejos antes cobiçados

Do aconchego de nós dois
restaram lembranças fugidias

Sumiram atrativos
Surgiram repulsas

Lágrimas sentidas
escorregam sobre a tez

Eliana Pichinine

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Vestido floral


Menino e menina
ainda em botão

na ciranda do vestido
procuram acalanto

Cachoeira de pétalas
perfumam a ocasião

Eliana Pichinine
Carta


Aquele envelope branco
trouxe notícias rimadas

Despertou o silêncio
Acendeu o meu querer

Eliana Pichinine


Areal do pensamento


O ponto fraco da certeza?

É a dúvida

Eliana Pichinine
Entrevero


No passado

O teto partiu
A parede emudeceu
O sorriso desmoronou


No presente

Cabides penduram as lembranças
Trancas cobrem o passado
Janelas expiram a naftalina

Eliana Pichinine
Livro da memória


Fotografei a sua imagem na memória
Deixei o tempo contar

Eliana Pichinine
Doce imagem do alvorecer


Senti
o ritmo
das
pálpebras



Pintei
a tela
do dia


Fiquei
com
você


Eliana Pichinine




Aniversário de 6 meses !

versoseanversosfotogenicos.blogspot.com

Comemorando com Doce imagem do alvorecer, Livro da memória
Entrevero, Areal do pensamento, Carta e Vestido floral