terça-feira, 21 de junho de 2011

Enigmas

Todos temos um enigma

e como é lógico ignoramos

qual é a sua chave seu sigilo

raspamos a proximidade

colecionamos os despojos

nos extraviamos nos ecos

e o perdemos no sonho

justo quando ia se decifrar


e tu também tens o teu

um enigma tão simples

que os postigos não o escondem

nem o descartam os presságios

está em teus olhos e os fechas

está em tuas mãos e as retiras

está em teu peito e os cobres

está em meu enigma e o abandonas

Mario Benedetti

In: BENEDETTI, Mario- Amor, as mulheres e a vida: Antologia de poemas de amor- Verus Editora, Campinas, 2010.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

não tenho mais idade

pra brincar de esconde-esconde

vem me pegar


Martha Medeiros

MEDEIROS, Martha- In:Poesia Reunida-L&PM , Porto Alegre, 2010.p37

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Edifício Amizade *

Ainda em construção

caminha sem pressa

Demora para acimentar

Os tijolos porosos

não resistem à ventania

dos acontecimentos

Aqueles mais resistentes

sentem o abalo

mas conseguem

permanecer



Os anos passam

e a obra


vai ficando


pronta

para encarar mudanças

inerentes

a cada

tijolo

parede

janela

porta

da história

deste edifício


Eliana Pichinine

* Este poema é fruto de uma combinação com Assis Furriel. (www.blogdochicofurriel.blogspot.com). Desta vez foi ele quem sugeriu um tema. Eis aqui a encomenda sobre o tema edifício.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Vestido*

Quando jovem o projetei

e sonhei

Já adulta o concretizei

ao som de música clássica

Então o usei

ao longo dos anos

Entre flores

e espinhos

ele se desfez

Segui sonhando

projetando, concretizando

Outros sonhos passaram

mas aquele ficou

Companheiro

e

amigo

nunca me deixou

E em futuro bem próximo

envolverá minha alma

com seu tecido sutil

para juntos finalmente

no espaço volitar

15/5/2011
Miriam Pichinine

*Sobre o vestido de noiva (desenhado, costurado e bordado por ela) da minha querida mãe.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Brinquedo sério - Letra: Alice Ruiz

Música: Celito Espíndola e Jerry Espíndola


Eu só brinco

quando é muito sério

é muito sério

ser o teu brinquedo

Não tem mistério

não tem segredo

quando a gente brinca

quando a coisa é séria

quando o teu limite

é tão perfeito

quando ser brinquedo

pode ser tão sério

Pode haver um dia

em que a poesia

mude de endereço

deixe apenas tédio

mas enquanto isso

vem brincar comigo

vamos até onde

possa ser só riso

possa ir tão longe

possa ser tão lindo

pode ser brinquedo

pode ser tão sério

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Um rosto conhecido


usou o desconhecido


do teu rosto.


Fabrício Carpinejar

(In: CARPINEJAR, Fabrício- As Solas do Sol- Bertrand Brasil,Rio de Janeiro,1998).