domingo, 29 de maio de 2011

Na rua

Quase tropecei


Abaixo de meus olhos


e ao lado


de meus pensamentos corridos


havia um expressivo


rosto infantil


Ele dormia sem pressa


no colchão de pedra


coberto de piche


Suas feições tranquilas


destoavam do frio


daquela manhã



Corpo seminu



em formato



de concha



Olhos cerrados



Cílios atentos



Vida de rua



Eliana Pichinine

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Chinelos dançantes*

O arrasta - pé

nos ouvidos

do poema

agradou

tanto que

os versos

se empolgaram


No ritmo

do bate-chinela

as estrofes


germinaram

E o compasso

da folia

calçado

de harmonia

varreu

a

tristeza

e

varou

a

madrugada


Eliana Pichinine

*O tema deste poema foi uma sugestão que fiz ao amigo Assis Furriel. A proposta era escrevermos sobre o mesmo assunto. Aqui está a minha versão.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Tempo que fugiu

Depois de tanto vasculhar


cá dentro da caixola


encontrei ideias mordidas


por lapsos de memória



Eliana Pichinine

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Desprendimento

O tamanho



do momento


cabia

em sua mão


Você a estendeu


e permiti


o enlace


A batida pulsante


ressoava na linha


da vida


Inusitada emoção


acontecia


Sentimentos transparentes

extravasaram:


Era a plena entrega

[de seu coração]


Eliana Pichinine