quarta-feira, 19 de julho de 2017




Quando alguém

faz com o sentimento

o mesmo que o cão

quando cava a terra

com o  osso  na boca

 

quer silêncio
 
na  palma do coração


Eliana Pichinine

terça-feira, 18 de julho de 2017

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Paisagens do cotidiano





entre dois morros

o poente


entre duas margens

o rio


entre dois carros

a mulher agachada


não era parto de cócoras

e nem dança

era  o asfalto

servindo

de sanitário


ela


estava “em casa”

e concentrada

parecendo alheia

aos sons da rua

continuou “invisível”

 

precisando sobreviver

fez do corpo

o seu escudo
 

 

Eliana Pichinine

terça-feira, 4 de julho de 2017

Tristeza


 




Quanto mais

eu sumia

mais ela ficava

 

Irônica com

o sorriso no
 
canto d`alma

parecia uma hiena

 

 
                                    Eliana Pichinine

 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Passando


Enquanto ele passa a gola
o drama mexicano passa na tela
Um tipo de amor parecido
com a realidade que vivencia

Aguardará
o próximo capítulo
Para os punhos
terá  as abotoaduras
reluzentes que
ganhou
no dia dos namorados
A gola ?
Ficou impecável

Eliana Pichinine

sábado, 1 de julho de 2017

Buraco


 no fundo

d` alma

 

tudo

alfinetando

 

  

apenas

parecia

morar lá

 

 
                                      
                                          na verdade
estava
 
 do lado  de fora

 

não cabia mais

na própria

silhueta

 


 

Eliana Pichinine

 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

 de todos

os atropelamentos

  o mais grave

  foi quando

estraçalhou

a autoestima

Eliana  Pichinine

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Rua

A rua escuta

os lamentos dos cães

e das mães sem leite

para amamentar

a prole

 

as famílias que têm as calçadas

como sala de estar

 

 o tilintar dos sinos da Catedral

o beijo de enamorados atrás das árvores

 

as enchentes carregando os pertences

daqueles que  quase nada possuem

 
 

o pneu das bicicletas roubadas

que passeiam em frente à casa dos

que foram assaltados

 

as moedas  caindo no bueiro e nunca

mais voltando para o menino que

pretendia comprar a sua tão desejada

revista em quadrinhos

 

a pulseira da moça que por distração

deixou cair 

 

os coturnos dos policiais

armados de ódio agredindo

servidores públicos que lutavam

pelos seus salários

 

as rodas de skates

que  tentam driblar o trânsito e se esquecem

de que a vida é preciosa

 

o pisotear de bebês aprendendo a andar

 

o barulho de folhas secas

 

o rio transbordando de bronquite

e cuspindo o lixo das cidades



Eliana Pichinine