segunda-feira, 1 de março de 2021
Pilha de louça
Pilha de roupa
Pilha de gente
Pilha de nervos
Eliana Pichinine
E eu
Aqui
Filha de uma
Irmã de tantas
Não somos santas
Foi nesse espelho
Que eu
Me vi
E nesse novo dia, uma nova cor
Como a de ontem, mas vejo um novo tom
Sei que não nasci e não vou morrer pronta
Pra entender toda cor e sentir cada som
Empilho os retratos
Penso num jeito
Corto um dobrado
Para me organizar
Dentro de mim
Pilha de louça, de roupa, de gente, de nervos
Retrós separados, cortei o dobrado e vou costurar
Uma filha na outra, a mãe dando o norte
Um pouco de sorte, e talvez,
Com essa pilha do dia, com três novas cores
Resgato as flores, quem sabe eu consiga pensar
Guilherme Pichinine
(O talentoso olhar de Guilherme Pichinine)
sábado, 27 de fevereiro de 2021
arco-íris
gosto de sussurro
que faz
o sol crescer
junto com a chuva
mostrando um monte
de cores
no olhar
Eliana Pichinine
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021
sábado, 20 de fevereiro de 2021
nosso mar
desaguamos
como um rio
sabendo que
nem sempre a maré
está pra peixe
de quando em quando
levamos um caixote
e engolimos areia
já nos afogamos
diversas vezes
e quase desistimos
mas mesmo assim
nadamos
tentando não morrer
na praia
o nosso mar
tem desilusões
em formato de ondas
que desfazem
fantasias nocivas
sobre nós mesmos
e assim
seguimos a bússola
da alvorada
e do poente
Eliana Pichinine
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