sábado, 25 de fevereiro de 2012




 apertado na garganta

como nó de gravata

 o grito preso me arranha.


Diana Pichinine

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Máquina de costura*


Linha e agulha

seguindo

a vontade

do pedal


daquela

artesã


Retalhos

revestidos

de atalhos

 para

a doce

aventura

 Vida

cerzida

nos tecidos

da imaginação
7/711, 8/7/11

Eliana Pichinine



*Para minha mãe

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Pestanas






Os olhos deste poema

piscam a cor do instante

e  passeiam pelos sentidos



 30/7/10
Eliana Pichinine

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Fenecimento


                           Antes

das   doze

badaladas

  do seu

                                coração



                               percebi

o  seu

encanto

fenecer



Corri e resgatei

                    na carruagem

                     da autoestima

                     minh’alma

                      dissipada



25/8/10, 3/9/10 & 6 /10/10

     Eliana Pichinine


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Raridade




Brilhante raro

da minha coleção

de sonhos


É você mesmo?


Sinto a brisa acariciar


a face deste átimo 


Em qual parte


da conversa 


paramos

na vez pretérita?


Temos pouco tempo


para  tecer as nossas


lembranças


Suas palavras


 alimentam



minha  inspiração


A despedida


se aproxima


e  me leva  


para a terra

do esquecimento


Aceite meu carinho


com aroma de cafuné


Outro dia retornarei

e continuaremos


este  momento onírico

22/9/10 & 29/10/10

Eliana Pichinine




quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Confusão


 Meu coração

é teu coração?

Quem me reflexa pensamentos?

Quem me presta
esta paixão

sem raízes?

Por que muda meu traje
de cores?

Tudo é encruzilhada!
Por que vês no céu
tanta estrela?

Irmão, és tu

ou sou eu?

E estas mãos tão frias
são daquele?

Vejo-me pelos ocasos,

e um formigueiro de gente

anda por meu coração.


Fonte: http://www.citador.pt/poemas/confusao-federico-garcia-lorca
Federico García Lorca, in 'Poemas Esparsos'
Tradução de Oscar Mendes

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O tempo


Que fosse
                  apenas mais um dia
                  apenas mais uma vez
                  sem pretensão de futuro

Que fôssemos
                           felizes
                          capazes de  viver
                          envolvidos num laço forte
                          engolidos pelo amor

Mas fomos desatados
                                       pela vida
                                      pelo tempo


Ficamos próximos
                                por momentos
                                por lembranças
                                por sentimentos

Corremos
              de nós
              por nós

Foi
      um corte
      uma dor

Senti a perda
Tremi de saudade

Sumi com os espinhos
Carreguei  a alegria


Sabia do fim
e o conheci

Década de 90 & 21/5/10 & 30/9/10
Eliana Pichinine