quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Confusão
Meu coração
é teu coração?
Quem me reflexa pensamentos?
Quem me presta
esta paixão
sem raízes?
Por que muda meu traje
de cores?
Tudo é encruzilhada!
Por que vês no céu
tanta estrela?
Irmão, és tu
ou sou eu?
E estas mãos tão frias
são daquele?
Vejo-me pelos ocasos,
e um formigueiro de gente
anda por meu coração.
Fonte: http://www.citador.pt/poemas/confusao-federico-garcia-lorcaFederico García Lorca, in 'Poemas Esparsos'
Tradução de Oscar Mendes
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
O tempo
Que fosse
apenas mais um dia
apenas mais uma vez
sem pretensão de futuro
Que fôssemos
felizes
capazes de viver
envolvidos num laço forte
engolidos pelo amor
Mas fomos desatados
pela vida
pelo tempo
Ficamos próximos
por momentos
por lembranças
por sentimentos
Corremos
de nós
por nós
Foi
um corte
uma dor
Senti a perda
Tremi de saudade
Sumi com os espinhos
Carreguei a alegria
Sabia do fim
e o conheci
Década de 90 & 21/5/10 & 30/9/10
Eliana Pichinine
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Avesso
Certas
palavras
enrubesceram
[certos]
olhares
virginais
Certos
olhares
enrubesceram
[certas]
palavras
virginais
16/8/10 & 26/8/10
Eliana Pichinine
sábado, 17 de dezembro de 2011
Infinito Particular
Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Marisa Monte
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Foi um lindo romance
Foi um lindo romance, reconheço,
Lindo como jóia de alto preço,
Este romance que não escrevi.
Foi síntese de todos os romances,
Com todas as cores e todas as nuances
Dos sonhos que até hoje construí.
Meu romance tem páginas sublimes
De renúncias, heroísmos, traições e crimes;
Tem palavras de estranha suavidade;
Tem gritos de revolta e de ansiedade,
Resumo do desejo e da ambição -;
Tem confissões de amor sussurradas com calma,
Tem o tom muito da alma e do coração.
Se alguém pudesse ler encontraria
Toda meiguice, toda ternura, toda covardia
Das palavras de amor que eu não te disse.
Se alguém pudesse ler encontraria escrita
Numa página de ouro esta cruel verdade:
Tu foste para mim esta coisa tão bonita
Que todos chamam de felicidade.
Foi um lindo romance, reconheço,
Por isso de joelhos agradeço
Me deixares vivê-lo até o fim
Anônimo e feliz... Com toda discrição.
Sem a glória de ter ouvido sim,
Nem a mágoa de ter ouvido não.
Mário Lago
Lindo como jóia de alto preço,
Este romance que não escrevi.
Foi síntese de todos os romances,
Com todas as cores e todas as nuances
Dos sonhos que até hoje construí.
Meu romance tem páginas sublimes
De renúncias, heroísmos, traições e crimes;
Tem palavras de estranha suavidade;
Tem gritos de revolta e de ansiedade,
Resumo do desejo e da ambição -;
Tem confissões de amor sussurradas com calma,
Tem o tom muito da alma e do coração.
Se alguém pudesse ler encontraria
Toda meiguice, toda ternura, toda covardia
Das palavras de amor que eu não te disse.
Se alguém pudesse ler encontraria escrita
Numa página de ouro esta cruel verdade:
Tu foste para mim esta coisa tão bonita
Que todos chamam de felicidade.
Foi um lindo romance, reconheço,
Por isso de joelhos agradeço
Me deixares vivê-lo até o fim
Anônimo e feliz... Com toda discrição.
Sem a glória de ter ouvido sim,
Nem a mágoa de ter ouvido não.
Mário Lago
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Minha vida foi isso o tempo todo
Recomeçar ainda que partido;
Refazer o horizonte a cada passo;
Buscar razões no que perdeu sentido;
Mover-me sempre, embora o pouco espaço;
Compreender todas as vozes mudas,
Perdido entre o não dito e o não pensado;
Procurar no vazio alguma ajuda;
Repisar mil caminhos já pisados;
Falar sem nunca ter ouvido um grito
De aplauso, de protesto ou xingamento;
Pensar que era de céu o chão de lodo;
Os pés na terra, os olhos no infinito.
Sonhando estar lá longe o meu momento...
Minha vida foi isso o tempo todo.
Refazer o horizonte a cada passo;
Buscar razões no que perdeu sentido;
Mover-me sempre, embora o pouco espaço;
Compreender todas as vozes mudas,
Perdido entre o não dito e o não pensado;
Procurar no vazio alguma ajuda;
Repisar mil caminhos já pisados;
Falar sem nunca ter ouvido um grito
De aplauso, de protesto ou xingamento;
Pensar que era de céu o chão de lodo;
Os pés na terra, os olhos no infinito.
Sonhando estar lá longe o meu momento...
Minha vida foi isso o tempo todo.
Mario Lago
http://www.mariolago.com.br
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Um Poema de Amor
Não sei onde estás, se falas
ou se apenas olhas o horizonte,
que pode ser apenas o de uma
parede de quarto. Mas sei que
uma sombra se demora contigo,
quando me pergunto onde estás:
uma inquietação que atravessa
o espaço entre mim e ti, e
te rouba as certezas de hoje,
como a mim me dá este poema.
Nuno Júdice, in "O Movimento do Mundo"
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