sábado, 17 de fevereiro de 2024


o coração 
é uma viela 
um pedaço 
de céu estrelado ou não 
uma botija com hortelã 
um camafeu  decorado
uma  linha com e sem nó
um tapete decorado 
um bordado por fazer 
um riacho  
um monte de pulsação
uma ferramenta multifacetada
um oráculo
uma esfinge 
uma fotografia do pensamento 
uma artéria arteira 
uma ponte
um hiato
um arco-íris na montanha 
um papel machê em formação 
um pingo 
uma cachoeira 
um punho fechado 
um corpo aberto 
                             eliana pichinine


quando você chega perto do sol
e de todas as estações da vida 
sente o brilho
a chuva 
a ventania
a brisa
a folhagem
a inundação 
escuta a cotovia 
acena para o beija-flor 
admira a sempre-viva 
reconhece terrenos baldios
areia movediça 
lavas de vulcão
labirintos
cirandas  
sorrisos sinceros e redes de afeto
separa o raso do profundo
faz escolhas infinitamente momentâneas 
entende que sobra de tempo 
não é tempo de sobra 
 
eliana pichinine

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

quando eu descobri

o nome da flor

que representa 

a minha infância 

e os passeios de bicicleta

pelas ruas de Thomáz Coelho

fiquei muito feliz:

vinca 

planta que veio de  Madagascar 

e encanta as minhas lembranças 


às vezes 

o ato de nomear

aconchega o coração 


eliana pichinine

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

    o

 afeto

 age


borda 
aborda 

 
com uma
cadência 

inigualável


eliana pichinine


quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

 eu quero 

escolher

usar ou não
 
o sutiã


quantas convenções 

marcam ou marcaram 

 a sua pele 

também?  


eliana pichinine


terça-feira, 23 de janeiro de 2024

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024