sexta-feira, 18 de novembro de 2016


 a avenida continua ali

assim como a casa de festas

na esquina

e a lanchonete em frente ao rio

mas o alvo mudou
hoje

outra família

perdeu um ente querido

a calçada ficou avermelhada

Juba




a pulga saltita

suga aos poucos

o sangue do hospedeiro

sabe aproveitar

o tempo de vida 

que lhe resta

Pontadas


pontada nos olhos:

sono perdido

pontada no olhar:

sonho perdido

Pendências


água-viva

pulsando

no peito

espinha

de peixe

atravessando

a garganta

mãos trêmulas

abraço desmedido

fera acuada

espreita as lesões

lambe cada ferida

sabe a hora de recuar


In: PICHININE, Eliana - Macaréu, Editora Vidráguas, Porto Alegre, 2015.

 você?

escuto

com

a

pele


sou finita

e minhas 

ilusões

também

Eliana Pichinine